Existem dores e dores, mas existem as dores que doem mais, aquelas que partem nossos corações, aquelas que dilaceram com as alegrias do dia. As dores que doem mais não são aquelas que podemos estancar. Quebrar o braço dói, mas dá para engessar, cortar o dedo dói, mas é possível atar para fazer parar de sangrar, apanhar dói, mas alivia revidar, perder alguém dói, mas o tempo há de curar e apenas a saudade irá pairar, os finais doem, mas existem recomeços para acalmar. As dores que doem mais não são as nossas, são as dores dos outros, as dores de quem amamos, as dores que não tocam nossas faces, nossa pele, mas machucam nossos corações. Essas dores doem mais, mesmo que não sangrem, mesmo que não levem pontos, mesmo que não necessitem de tempo, doem mais porque doem nas pessoas que amamos, mas a empatia de sentir, de tentar tangir, de se apoderar dar dor do outro, com intuito de amenizar, nem sempre é curadora, mas equilibra os sentimentos, porque ao invés de multiplicar é divisora. Essas dores sempre doem mais, simplesmente porque amamos, porque muitas vezes preferimos sofrer no lugar, mesmo sem poder, porque acreditamos que somos mais fortes, mais recuperáveis, menos vulneráveis, acreditamos que a dor pode ser menor em nós quando o amor é maior pelo outro.
terça-feira, 7 de março de 2017
segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
Ame mais ou ame menos
Para cada um que ama muito, tem um que ama menos, para cada um que dedica seu tempo, tem um com falta de tempo, para cada amor, tem alguém que não dá valor. Hoje você é o que ama mais, amanhã pode ser o que ama menos, hoje o amor não se encaixa com o tempo que você disponibiza, amanhã quando tiveres tempo talvez não tenha mais o amor. Se você não quis valorizar quando podia, não poderá mais quando quiser. O amor é conjugado somente em um tempo, no presente. Não se resgata amor depois que ele virou dor, é passado, não se projeta amor, o futuro é incerto. Ame menos ou ame mais, mas ame hoje!
sábado, 19 de novembro de 2016
Sobre minhas ideias de escrever
Em uma conversa informal e digital com um amigo, falávamos sobre escrever, sobre ideias, inclusive disse a ele o que já disse diversas vezes a vocês, que muitas das minhas inspirações surgem a partir de diálogos, que insights vinham e logo em seguida um texto inteiro, e não foi diferente desta vez, eis que aqui estou. Temos inúmeras ideias durante a vida, algumas ficam no momento, outras na cabeça, outras autenticamos, mas a grande maioria vencem, as ideias são perecíveis, possuem prazo de validade, entretanto nem sempre vem no rótulo algo do tipo: “consuma assim que abrir”. Ideias são boas quando são convertidas em atitudes, quando deixam a mente e possuem o corpo, quando ganham forma, quando deixam de ocupar apenas o pensamento e ocupam as palavras e no meu caso, quando deixam de ocupar as palavras e começam ocupar as linhas, as páginas e os capítulos. Deixarão de ser ideias quando ocuparem um espaço nas prateleiras, em algum cantinho de suas vidas. Para expressar melhor minha ideia, vou responder neste texto uma pergunta que já me fizeram dezenas de vezes e que eu já fiz muitas e muitas vezes para mim e para escritores de assinaturas desconhecidas. “Por que você escreve?" É um conjunto de fatores, como já citei em outros textos, mas acredito que hoje encontrei a melhor reposta. Escrevo, porque escrever é uma forma de viver mesmo depois da morte, é uma extensão de mim, é um legado, é uma forma talvez de viver daqui há um, dois, três ou mais séculos, é uma forma de dizer aos meus netos, bisnetos, tataranetos que pensei neles antes mesmo de existirem, escrever é registar, é mais que contar historias é fazer historia. Quando lemos sobre a origem da escrita, temos esta frase “A escrita é um processo simbólico que possibilitou ao homem expandir suas mensagens para o mundo muito além do seu próprio tempo e espaço”, ou seja. Quando nascemos escrevemos em um livro esta data, quando casamos escrevemos nas alianças, quando morremos escrevemos nas lápides, e quando vivemos? Quando vivemos escrevemos em um papel, em uma foto, em um diário, em uma carta, em um livro ou escrevemos um livro. Se não tiveres assuntos para alguns séculos, deixe mesmo assim sua letra, seu amor, sua declaração em um bilhete para o mundo e viverás para sempre através de suas palavras.
Escrita dia 18/11/2016
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
Ela é tudo, mas não é nada sua
Li uma frase agora que dizia " Se você namora uma mulher sem intenção de casar com ela, você namora a mulher de outro homem", achei a frase incrível, o autor é desconhecido, mas os personagem que vivem essa peça de teatro são muitos, e estão encenando diariamente esse espetáculo para todos nós em algum momento. Essa frase se aplica para namoros, casamentos, mas infinitamente mais para sentimentos, nem sempre se quer casar ou namorar com a mulher ou o homem de nossas vidas, mas continuam sendo os tais. Normalmente essa pessoa é tudo, é amiga, parceira, companheira, confidente, amante, admiradora, é incrível, é indispensável, é tudo, mas não é nada sua. Quando te perguntam o que você é dessa pessoa você não sabe nomear, mas se te observarem a olhando sabem explicar, se te pegarem falando sobre ela verão que é muito mais do que um status pode definir, mas mesmo assim, ela ainda não é nada sua. Ela não é nada porque maior do que o desejo, maior do que a paixão, maior do que o amor, existe um sentimento que pode ser maior do que tudo, o medo. O MEDO agiganta os fantasmas, incentiva a covardia, se apodera de todas as lacunas, ele parece inofensivo, mas ganha espaço e vai acinzentando os sentimentos que antes eram coloridos, ele é tão grande que parece preencher, parece ser capaz de te fazer esquecer, parece ser capaz de apagar qualquer coisa boa que a vida desenhou e quando ele consegue, você realmente “curte”, “namora” ou é loucamente apaixonado pela mulher de outro homem ou pelo homem de outra mulher, daquele ou daquela que teve coragem de fazer tudo que você não fez, quando ela ou ele eram tudo, mas não era nada seu, afinal, ninguém é insubstituível!
Escrita dia 27/10/2016
Escrita dia 27/10/2016
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
A fórmula do risco
Quem não gosta de uma adrenalina para movimentar a vida, uma emoção para embalar os dias rotineiros e óbvios? Todos, até os mais frios e racionais adoram uma emoção para quebrar a razão. Tem algo mais emocionante do que correr certos riscos? Pular de paraquedas, saltar de asa delta, pular de um muro alto, pegar uma estrada sem rumo, mudar o roteiro da sua vida sem mapa, pisar em solo desconhecido, encarar a montanha russa mais alta, brincar de verdade ou consequência, se apaixonar e etc... Certamente fazer compras, casar-se, dividir os dias e pagar as contas que não tem fim, são incrivelmente emocionantes também, mas cansa, enjoa, perde a graça muitas vezes. Tudo que vira rotina perde um pouco da emoção, do encantamento, da adrenalina.
Costumo dizer que risco bom é o risco calculado, aquele que não vem seguido de um impulso, aquele pensado, onde o benefício é maior que o medo das consequências, aquele que libera adrenalina, serotonina e se possível manda aí também uma endorfina, mas quem sabe a fórmula, quem sabe tirar a prova real para ver se calculou certo? Quem? Ninguém. Não sabe a fórmula, use a balança!








